Apesar de nos dias de hoje, personagens convidados em jogos de luta serem uma coisa normal. Na década de 90 e 2000, não era uma coisa vista com frequência, o que foi aos poucos mudando, tornando-se um modelo de negócio atrativo (até demais), como vemos nos dias de hoje.
Nos anos 90, em alguns casos os personagens convidados vinham como bonecos secretos, como Ryo Sakazaki (de Art of Fighting) em Fatal Fury Special. Akuma (de Street Fighter) em X-Men Children of the Atom, ali no auge da era dos fliperamas. Ou como personagem jogável, como Sakura (de Street Fighter) participando do primeiro Rival Schools, com o intuito de ajudar nas vendas do jogo. E alguns casos inusitados, como Pepsiman (que possui um jogo de PS1 do mesmo nome) em Fighting Vipers para Saturn, Earthworm Jim em Battle Arena Toshinden ou o jogo Ready 2 Rumble Boxing: Round 2, que teve como personagens convidados Bill Clinton (chamado de Mr. President, mas com o rosto bem reconhecível, mesmo naquela chuva de polígonos quadrados) e Michael Jackson. E o jogo que levou a situação de personagens convidados em jogos de luta a outro patamar na época foi Soul Calibur II, onde em cada plataforma existe um personagem convidado exclusivo. Sendo Heihachi para Playstation 2, Spawn para X-Box e Link (da franquia Legend of Zelda) para GameCube.
Com o passar dos anos e novos consoles sendo lançados, a franquia Soul Calibur continuou aproveitando dessa marca de trazer um personagem convidado em cada jogo, trazendo mestre Yoda e Darth Vader (ambos do universo de Star Wars) em Soul Calibur IV, Ezio Auditore (da franquia Assassins Creed) em Soul Calibur V e Geralt (de The Witcher) em Soul Calibur VI. A NetherRealm começou com essa prática em Mortal Kombat 9, trazendo Freddy Krueger e o Kratos (exclusivo para PS3). Killer Instinct também marcou sua presença em jogos de luta que trazem personagens convidados, apresentando Rash (de Battetoads) e General RAAM (de Gears of War). E a Capcom fez escola com a Bandai Namco (Soul Calibur), trazendo somente para os consoles da Sony: Pac-man, Mega Man, Toro e Kuro e Cole (de inFAMOUS) em Street Fighter x Tekken. E uma das exceções dos jogos atuais, Pocket Bravery, trouxe Sho, de Breakers como um personagem secreto de graça.
E com os modelos de venda de jogos e expanções mudando, DLC firmando o seu lugar na indústria de jogos como uma prática cada vez mais comum, os personagens convidados, que antes eram de graça, tornaram-se pagos (passando a vim como personagens de season pass). Vimos isso em Injustice Among Us, trazendo Scorpion (de Mortal Kombat), Injustice 2 com Sub Zero e Raiden (ambos de Mortal Kombat) e uma escolha bem diferente, as tartarugas ninja. Samurai Shodown 2019 trouxe adaptando pro seu estilo de jogo Warden (de For Honor), Baiken (Guilty Gear) e Hibiki Takane (de Last Blade). Soul Calibur VI, do mesmo jeito que trouxe Geralt como personagem convidado jogável gratuito, trouxe como dlcs 2B (de Nier) e Haohmaru (de Samurai Shodown). Street Fighter V trouxe Akira, de Rival Schools, reafirmando que os dois universos são conectados e como uma boa adição para os fãs da série (aqui é a única exceção a respeito de comprar com dinheiro real o personagem, porque Street Fighter V possui um sistema com moeda in-game, e é possível com ela comprar a Akira). Figuras da cultura pop também apareceram, como Negan (The Walking Dead) em Tekken 7. E a NetherRealm aproveitou de ser uma empresa ligada a Warner Bros e começou a trazer personagens de filmes, séries e Hqs bem conhecidas, como Jason, Predador, Alien e Leatherface em Mortal Kombat X; Exterminador do Futuro, Rambo, Spawn, Coringa e Robocop em Mortal Kombat 11 e no seu último jogo da franquia Mortal Kombat, o jogo mal saiu e já tem anunciado em season pass: Omni-man (Invecível), Capitão Pátria (The Boys) e Pacificador (da série do mesmo nome do universo DC, com personagem interpretado pelo John Cena).
Enquanto é muito bom ver personagens convidados fora do seu universo habitual, com um conjunto de golpes replicando ações famosas (quando o personagem não vem de um jogo de luta) ou uma adaptação/réplica dos seus golpes do seu jogo origem, estamos indo para um caminho sem fim. Onde cada vez mais as produtoras utilizam desse método pra chamar a atenção. Quando não é algo exagerado e o preço cobrado não é um absurdo, em muitos casos vale a pena. Em outros parece que é só meio de venda certa, já que os personagens escolhidos vendem-se por si só, passando a imagem que é melhor trazer um personagem convidado que o retorno de um personagem da própria franquia, como a primeira season pass do Mortal Kombat 1 (2023), onde 3 dos 6 personagens, são personagens convidados.
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