No mundo da cultura pop, sempre foi natural os consumidores reclamarem de algo que não lhe agrada. Demonstrar insatisfação a respeito de algo que não gosta é natural, e até se faz mais importante do que parece, porque em alguns casos essa reclamação tem tanto sentido, que é essa reclamação que pode salvar o produto final. Como foi o caso do filme do Sonic, onde o primeiro visual era tão estranho e foi tão criticado que foi alterado.
O problema é que com a era da internet, as redes sociais potencializaram tanto a voz do individuo comum, que existe um exagero dessa reação, seja por reação espontânea ou comportamento em manada (tendência de as pessoas seguirem a opinião ou ação de um grupo sem questionar ou analisar os fatos).
Dentro da comunidade de jogos de luta, reclamar a respeito de algum aspecto do jogo sempre foi normal. Em alguns casos a reclamação faz sentido, em outros é exagerada, fazendo qualquer pessoa mais consciente se perguntar "é realmente necessária toda essa reclamação?".
Apesar do ótimo lançamento, Street Fighter 6 sempre sofreu reclamações por parte de sua comunidade, principalmente da área mais competitiva. E recentemente essas reclamações chegaram a um nível, onde se recorreu a uma falsa nostalgia pra querer desqualificar o SF atual.
Então começou-se um telefone sem fio de que Street Fighter 5 apresentou algumas características melhor que Street Fighter 6, onde a mais citada são as mecânicas de jogo.
Caso você não tenha vivenciado a época do Street Fighter 5, deixe-me te dizer como era naquela época. Uma parte da comunidade reclamava do jogo e desprezava ele, mas continuava jogando, como se usasse pra si mesmo a desculpa "é o melhor que tem pro momento, por isso não paro de jogar". Reclamações diante o balanceamento, mecânicas e sobre o online (esse último com toda razão, já que a Capcom sempre fez pouco caso enquanto o jogo estava vivo).
A principal reclamação da comunidade de Street Fighter 6 são as mecânicas, seguido da falta de skins para os personagens do jogo. Primeiro que é injusto comparar SF5 com SF6, porque um é um produto finalizado (SF5) e o outro ainda está em desenvolvimento e pode (e deverá) sofrer ajustes para corrigir falhas.
Na parte das skins eu concordo que falta sim conteúdo para os personagens jogáveis, mas a Capcom conseguiu achar uma maneira de tentar agradar gregos e troianos. Enquanto os personagens de dlc levam mais tempo para sair, focando na área competitiva. O foco fica no World Tour, que atrai o público casual, sendo ali o local onde é investido mais novidades em curto espaço de tempo.
Reclamar a respeito dessas lacunas que a Capcom deixa é justo, mas isso deve ser medido. Se a reclamação existe, mas não é algo ao ponto de impactar a sua experiência com o produto final, então vale continuar jogando. Agora se o seu descontentamento com o jogo é grande, ao ponto da sua reclamação te incomodar (como as mecânicas do jogo, por exemplo), então talvez seja bom considerar trocar de jogo, pelo menos por enquanto.
Algumas pessoas tentaram utilizar o caso do SF como exemplo, para dizer que isso ocorre em outros jogos de luta atuais, usando a premissa que o jogo anterior da franquia é melhor que o atual.
Ainda que tenha tido boas vendas em seu inicio, Mortal Kombat 1 sempre foi alvo de reclamação da comunidade. Pela monetização exagerada, a falta de conteúdo para o público casual, as mecânicas de jogo. E essas reclamações foram aumentando, aumentando, até chegar a um ponto onde uma parte da comunidade preferiu voltar para o jogo anterior que continuar se estressando com o atual.
Mas no que o caso do Mortal Kombat 1 se difere de Street Fighter 6? A resposta é bem simples, Street Fighter 6 não perdeu público ou teve uma migração massiva de jogadores para a versão anterior. Enquanto Mortal Kombat 1, além de não ter um número expressivo de jogadores (para os padrões MK), não teve um bom número de vendas na sua última expansão lançada.
Enquanto as reclamações a respeito de SF6 mais parecem birra de um adolescente que não sabe o que quer da vida e que no fim do dia estará jogando o jogo de qualquer maneira. A comunidade de Mortal Kombat foi mais a fundo, mostrando com a carteira que não gostou e não está gostando do caminho que Mortal Kombat 1 está levando.
A comunidade deve reclamar e se manifestar quando necessário, só tem que tomar cuidado para não acabar perdendo o foco, para não haver um exagero na reação, e a crítica que antes era válida, tornar-se infantil e motivo de piada.



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