terça-feira, 17 de março de 2026

O Brasil irá ter uma EVO.

No final de fevereiro, a organização da EVO fez um anúncio, não apenas mencionando a clássica EVO, mas apresentando a EVO-lução do próximo estágio do que querem transformar o evento. E com isso veio a maravilhosa notícia que haverá mais EVOs ao redor do mundo e o Brasil é um dos países que foi felizardo em poder sediar uma das suas novas edições.









Parafraseando o famoso ditado da montanha: "se o Brasil não vai até a EVO, a EVO vai até o Brasil".

Essa história começou quando o fundo saudita tinha adquirido uma boa margem dos direitos da EVO, gerando repercussão internacional, com várias figuras da comunidade se manifestando. Entre a expectativa do quanto isso pode influenciar o evento (ou melhorá-lo) e a desapontamento de saber da onde vem o dinheiro.

Então após um tempo, veio a notícia que o fundo Saudita tinha adquirido 100% dos direitos da EVO, sendo a proprietária agora. O quanto isso vai ser bom? O quanto isso pode ser ruim? Ainda não sabemos, temos que esperar a edição desse ano, para então ver se de fato a mudança será significativa.

E aqui é preciso um pouco de contexto antes de prosseguir. Não é uma novidade que a Arábia Saudita está trabalhando para mudar a imagem que o mundo tem do seu país. Qual é o melhor jeito que enxergaram de fazer isso? Utilizar o dinheiro (praticamente infinito) do fundo saudita na cultura pop, entrando em segmentos que até então não soavam tão interessantes.

Assim fizeram com futebol, jogos, filmes. E aqui não é a minha intenção dizer se é válido ou não tal atitude. Essa julgamento eu deixo para você leitor.

Especificamente na área de jogos, tivemos a SNK se reerguendo (com dinheiro do Sheik), a EVO e agora a expansão do projeto EVO.

É claro que uma notícia dessas gerou reações, enquanto uma parte dos americanos se incomodaram com o fato de haver mais edições de EVOs, podendo tirar o brilho da principal. O resto do mundo comemorou, principalmente os países escolhidos.








Os americanos reclamaram, porque desde que o mundo é mundo, americano nasce com síndrome de protagonista do mundo, é a cultura delas, como se tudo tivesse que ser sempre ao redor deles. Então não dá pra esperar uma empatia coletiva, quando eles não tem noção das dificuldades que existem para um jogador de alto calibre chegar em um grande torneio, principalmente daqui da América do Sul.

É a questão do visto, que tornou-se mais rigorosa (ainda mais com as últimas questões políticas), o valor em torno disso, porque não é barato e caso o jogador consiga, ele tem que estar preparado para entregar 100% naquela chance única.

E ainda assim, com toda a dificuldade, a gente vê que a América Latina tem potencial, MUITO potencial, mas o que os jogadores tem de potencial, existe de dificuldade para conseguir ir até os grandes eventos.

E mesmo com todas essas dificuldades, ainda assim, a gente vê os latinos figurando entre os grandes da cena de vários jogos. Quantas vezes já tivemos jogadores brasileiros no Top 8 da vida em Mortal Kombat, nas suas últimas edições?

E pra ser mais recente, exemplos não faltam, com MenaRD sendo um dos melhores jogadores de Street Fighter 6. Lauyagami, no KOF XV, que entrou como o azarão e venceu o poderoso e mitológico Xiao Hai e mais recentemente o chileno Blaz, o garoto prodígio, que tem uma legião de fãs no Japão e no mundo e já foi comparado tendo reações parecidas com o jovem Daigo.

Existem mais nomes? Claro que existem, mas esses alguns mostram que tudo que a gente precisa é de uma oportunidade. É quando um evento desse tamanho anuncia que vai vim para cá, essa chance se torna menos impossível de agarrá-la.














Eu também vi alguns brasileiros reclamando da situação (sim, paciência). E por maior que seja o desgosto por saber de onde vem o dinheiro, a pergunta que fica é: entre prós e contras, os prós não são muito maiores, ao ponto de dar pra relevar a situação? Ou tudo tem que ser a ferro e fogo e só por causa de onde vem o dinheiro, você vai manter o seu orgulho em pé e vai fingir que o evento não existe? 

É uma oportunidade que não existiria se não houvesse esse investimento, falando realisticamente.

E como isso vai funcionar? Basicamente eles vão entrar com o grosso (lá ele) financeiro, deixando a comunidade local organizar. Onde um evento da comunidade vai ser tornar a nova EVO.

E é claro, se os jogadores merecem destaques pelos seus méritos, tanto destaque e mérito merecem também as pessoas por trás das cortinas, as que fizeram e fazem os eventos ocorrer aqui no Brasil. Organizadores que lidam com situações adversas e ainda assim continuam trazendo eventos locais para a comunidade.

Essas pessoas devem ser lembradas, porque se elas se esforçaram e conseguiram entregar bons resultados com recursos limitados, imagina com o cartão corporativo dos árabes, o quanto pode ser realizado. Abraçar e motivar essas pessoas na baixa temporada, celebrar e dar reconhecimento a elas na alta.

Eu particularmente fiquei muito feliz com a notícia e gostaria muito de ir algum dia (eu me vejo tendo mais a experiência tipo a do vídeo do Velberan quando ele foi pra EVO USA, onde ele ficou rodando e mostrando o que tinha aos arredores do que focando nos torneios principais em si), mas o melhor lugar que vejo pra ocorrer inicialmente é São Paulo, então se ocorrer lá mesmo, eu vou ficar só na vontade, porque não sou de São Paulo.



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