Nos tempos de fliperama era comum de quando um jogo ter personagem secreto, ter um código pra desbloquear ele. The King of Fighters 97 com os seus truques pra habilitar Orochi Iori, Orochi Leona e a versão Orochi do New Faces Team (Yashiro, Shermie e Chris) ou Street Fighter Zero, colocando o cursor na roleta e fazendo o comando pra conseguir jogar com o Akuma, Dan ou M. Bison. Esse hábito de ter um personagem secreto e o jeito de habilitá-lo foi sendo mudado no decorrer do tempo.
Uma prática que tornou-se comum no decorrer dos últimos jogos de luta foi colocar um personagem bloqueado no elenco inicial, com o requisito para desbloqueá-lo sendo jogar o modo história do jogo completo, sendo esse personagem uma espécie de recompensa após o jogador ter concluído o modo história. Prática essa que é muito bonita na teoria, mas tem os seus questionamentos quando olhada mais de perto.
No Injustice 2, terminando o modo história desbloqueamos Brainiac. Em Mortal Kombat 11, ao terminar o capítulo 4, você desbloqueia a Frost. Em Mortal Kombat X, terminando o modo história, você tem acesso ao Shinnok e no Mortal Kombat 1, o personagem liberado ao concluir o modo história é o Havik. Não é só a NetherRealm Studios que utiliza dessa prática, indo para o lado da Arc System/Bandai, em Dragon Ball FighterZ a andróide 21 é liberada após terminar o modo história, e ainda temos o Goku Super Sayajin Blue e o Vegeta Super Sayajin Blue, que são desbloqueados após terminar o modo arcade, seguindo algumas condições.
Ok, muito legal, um monte de personagem que você consegue de graça, o que existe pra reclamar a respeito disso? É que caso você não queira jogar o modo história do jogo, onde a maioria deles tem um tempo considerável, como no Mortal Kombat 1 que o tempo médio para conclusão é aproximadamente 4 horas, a única forma de consegui-lo é pagando. Se a proposta é oferecer o personagem de graça, por que não um código secreto para alguém que não queira gastar 4 horas poder jogar com esse boneco? Porque tudo gira em torno de dinheiro e não é necessariamente o bem da comunidade que as empresas querem ver.
Em alguns casos a ganância das empresas é exagerada e vemos de maneira cristalina como água, ocorrendo o inverso, personagens que antes eram para estar no elenco inicial (ou talvez pudesse ser um boneco secreto), serem removidos para entrarem no season pass. Temos isso agora sendo mostrado no Mortal Kombat 1, onde Ermac e Quan Chi são personagens prontos, aparecem no modo história e foram removidos do elenco inicial. Algo semelhante ocorreu em Marvel vs Capcom Infinite, onde Sigma era para estar no elenco inicial (afinal, ele é um dos vilões da trama nesse jogo).
Entre altos e baixos, enquanto existem as empresas que se esforçam para dar uma moral para a sua comunidade, outras não se importam com isso, porque sabem que independente do que lançarem o seu público vai comprar. Por isso você não vai ver a Capcom fazendo esse tipo de ação. Em contrapartida existe ainda algumas empresas que disponibilizam personagens de graça, sem pegadinha, tome, é seu. A SNK fez a boa disponibilizando um personagem de graça por season pass no KOF XV, no primeiro ano veio o Rugal (e um traje extra veio junto do desafio do boss challenger) e no segundo ano o Goenitz. E temos a nova na praça Statera Studios, com o Pocket Bravery. Onde o pré requisito pra desbloquear o chefe do jogo é terminar o modo história e isso foi ajustado, colocando um código (como no tempo dos fliperamas) para que tenha acesso facilitado ao personagem. Existem mais 2 personagens desbloqueáveis, você pode realizar as condições necessárias pra desbloqueá-los (condições essas que são mostradas na tela de seleção, quando você passa o cursor encima do personagem. Ideia genial e simples) ou realizar o código e pronto, ter eles de imediato acesso.
As coisas não voltarão a ser como eram nos tempos de fliperamas quando o assunto é bonecos secretos, mas esperemos que a situação não piore. Pra não chegarmos no dia em que sentiremos falta de completar o modo história de várias horas, pra ter aquele boneco de graça.
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