quinta-feira, 30 de novembro de 2023

O quão impactante deve ser o elenco inicial em um jogo de luta?

 Nos últimos jogos de luta, o elenco inicial tem sido uma tratado de uma maneira diferente de como era nos anos 90. Porque não existia o mercado de dlcs, o tempo entre em um jogo e outro da mesma franquia era no mínimo de um ano (como The King of Fighters). Já nos dias de hoje, em alguns casos parece até que lançam o jogo com o elenco inicial mediano, para nas dlcs conseguir tornar o jogo mais interessante.

Abordando os últimos lançamentos das principais franquias de jogos de luta, veremos essas mudanças na escolha, como por exemplo, será que o elenco inicial de Street Fighter 5 é melhor que o de Street Fighter 6? Como o foco é abordar as escolhas de personagens usados, o critério principal que vai ajudar nesse artigo é a história do jogo naquele ponto e o quanto os personagens selecionados eram desejados pela comunidade pra entrar no elenco inicial, o estilo de gameplay não é tão importante. Não importa se as mecânicas de um jogo é melhor que o do seu antecessor ou vice-versa, não estamos analisando o jogo todo em si.

Começando com Mortal Kombat, que no 9, utilizou de um soft reboot (reiniciou os eventos da linha do tempo, com o jogo se passando durante o período do primeiro Mortal Kombat, mas ainda considerando os eventos que ocorreram anteriormente). Um ótimo elenco, focando nos personagens da era de ouro da franquia. Com Mortal Kombat X, a história avança e a geração também, apresentando novos kombatentes, alguns sendo descendentes dos personagens clássicos, como Cassie Cage (filha de Johnny Cage e Sonya Blade), Kung Jin e Jacqui Briggs. No Mortal Kombat 11 houve o retorno de alguns personagens que estrearam no Mortal Kombat X e foi mais reservado na questão de novos personagens, trazendo 3 (Geras, Kollector e Cetrion), enquanto  Mortal Kombat X trouxe 7. Da geração clássica tivemos o retorno de Noob Saibot, Jade, Skarlet e Kabal. Então foi um elenco muito bom, conseguindo mesclar a geração clássica, a nova geração (que surgiu em MK X) e personagens novos. 

Até chegarmos em Mortal Kombat 1 (2023) e com ele questões de quão bom o elenco inicial é, tendo suas particularidades, como o reboot da história, um novo sistema de jogo (sistema de assistência, que influenciou diretamente na quantidade de personagens jogáveis e quem foi escolhido somente como assistência). A escolha de personagens tem um peso muito grande, primeiro porque é uma nova linha do tempo, mas não é como em Mortal Kombat 9 (sem maiores spoilers, mas as condições não são as mesmas), ao mesmo tempo, houve o desejo da NetherRealm em trazer personagens da era 3D e dar a eles uma segunda chance. Então são muitas escolhas, pra um número limitado de slots de personagens. Se você parar para analisar só o número total, parece ser um ótimo número, passa dos 30 personagens iniciais (enquanto os jogos anteriores tem uma média de 25 personagens iniciais) , mas como eu disse antes, a escolha de sistema de assistência pesou. Personagens clássicos ficaram na área de assistência, o que deixa uma sensação de buraco, como assim Sonya Blade, Kano e Jax só como assistência?! Existe uma nova roupagem nessa linha do tempo, apresentando personagens clássicos de um jeito novo, como Shao Kahn, que aqui é General Shao. O motivo por trás do motivo de Baraka ser daquele jeito é diferente, mas ao mesmo tempo existe uma sensação de "está faltando algo aí", porque a escolha de personagens clássicos é estranha e o grupo dos mocinhos principais (Johnny Cage, Kenshi, Kung Lao e Rayden) não preenche totalmente o espaço deixado por não ter mais personagens clássicos combatentes pelo lado da Terra. Enquanto isso, os personagens da era 3D estão conseguindo ter o seu destaque, ter a sua chance de brilhar e estão aproveitando a chance muito bem. Li Mei, Havik, Ashrah e Nitara se mostraram personagens interessantes de conhecer e testar. Agora vem a parte problemática: as assistências. O número deveria ser maior, talvez se a  variedade fosse maior, diminuísse a sensação de buraco que existe por certos personagens clássicos estarem somente como assistência. É muito legal que TODOS os personagens jogáveis (quando eu digo "jogáveis" eu quero dizer os que não são assistência) do elenco inicial apareçam no modo história, mas ainda assim é um elenco inicial com gosto de incompleto (o fato de 2 personagens da primeira season pass aparecerem no modo história e não estarem no elenco inicial só reforço esse pensamento).

Indo para o lado da Capcom, Street Fighter V saiu com um elenco inicial de 16 personagens, trazendo uma boa variedade, se passando antes dos eventos de Street Fighter III, tivemos o retorno de personagens que tiveram boa recepção da comunidade, como a volta da Karin, R. Mika, Birdie e Nash, da série Alpha (destaque pro Nash que voltou todo costurado, parecendo um Frankstein, tendo ligação com a história que se passa). 4 personagens novos: Necalli, que tinha bastante potencial, mas foi desperdiçado no final da história. F.A.N.G, o novo número 2 da Shadaloo (ocupando o lugar que antes era de Sagat), era pra ser visto como um personagem cômico, mas não demorou pra se tornar um personagem descartável. Rashid, com o seu estilo e mecânicas únicas. Laura, a única personagem com alguma relação ao Street Fighter III (ela é irmã do Sean). Alguns personagens vieram com roupas diferentes, como uma maneira de dizer que o momento da história não é mais aquele de Street Fighter 2. No geral foi um elenco bom e vale como citação de menção honrosa, a primeira season pass trouxe personagens para se aproximar e amarrar mais o período da história do jogo. Então tivemos Alex, Ibuki e Urien com roupas diferentes da suas clássicas vistas no SF III (e como uma desculpa pra Capcom vender os trajes clássicos como skins a parte). 

Street Fighter 6 se passa após Street Fighter III, e também utiliza o design mais americanizado na sua composição (assim como Street Fighter III). A primeira coisa para demonstrar que o tempo passou é apresentar os personagens clássicos com roupas diferentes, com uma postura mais madura. Trazendo o total de 18 personagens, temos os 8 clássicos World Warriors (Ryu, E. Honda, Blanka, Guile, Ken, Chun Li, Zangief e Dhalsim), temos Juri (da nova geração retornando, personagem que ficou bem popular), Cammy e Dee Jay das antigas, do Super Turbo. Dos personagens novos (com gameplay reciclado) temos Kimberly, a atual praticamente do estilo ninja praticado por Guy e Zeku e vem como uma substituta deles, tendo um visual bem maneiro, misturando o novo com o velho (como o caso dela usar um walkman ) e Lily, que é da tribo do T.Hawk, que utiliza golpes semelhantes. Os novos rostos principais são Luke e Jaime (primo de Yun e Yang) e personagens novos, novos mesmo (sem referência a outro personagem no gameplay) temos Manon, uma judoca estilista. Marisa, design de jóias e JP, que é o vilão do momento. Parece existir uma vontade de não mencionar o SF III, mesmo ele se passando depois. E isso é percebido até na escolha de personagens da primeira season pass, onde os personagens escolhidos tem a mais ver com Street Fighter V do que Street Fighter III. 

No geral não é um elenco ruim, mas tenho a sensação que a Capcom foi por um caminho mais seguro no Street Fighter 6, para não repetir a recepção causada quando apresentaram o Street Fighter III. Enquanto eu vejo que no Street Fighter V a Capcom teve mais originalidade e variedade nos personagens (sem utilizar descendentes que são personagens diferentes, mas possuem gameplay igual a um personagem semelhante da franquia e com retorno de personagens que não tinham aparecido na era 3D da franquia).

A SNK fez um trabalho impecável no The King of Fighters XIV, trazendo 48 personagens no elenco inicial, com diferentes estilos, personalidades e gameplay. Com personagens novos tendo destaque merecido, por serem interessantes, como o time South America (com Zarina, Nelson e Banderas). Infelizmente o aspecto visual do jogo em muitos casos tem mais destaque que o jogo em si, afastando e gerando um preconceito desnecessário em um ótimo jogo. O jogo não é belo como os jogos atuais (ou os lançados na época que KOF VIX saiu), mas ele entrega o que um bom fã de KOF gosta: variedade com um bom gameplay.

Em The King of Fighters XV a SNK refinou a parte gráfica e utilizando a situação que na história houve uma mudança na linha temporal, pode trazer personagens que antes estavam mortos, como o Neo Faces Team (Chris, Shermie e Yashiro), mas reduziu a quantidade de personagens no elenco inicial pra 39. Não que seja um mal número, a variedade está ali presente, mas a escolha de dlcs do ano 1 do jogo, dá a sensação que diminuíram a elenco inicial pra vender os personagens que poderiam estar presentes como dlc. Tanto que no ano 1 do jogo, as dlcs são em time, no ano 2, são personagens separados.

A Bandai Namco sabe como trazer variedade na franquia Tekken, e fez isso muito bem em Tekken 7, trazendo 36 personagens (e ainda temos Akuma, de Street Fighter). E os personagens da franquia Tekken sabem ser expressivos, como o detalhe de cada personagem falar na língua do seu país (e tem boneco brasileiro também hein). Não há o que reclamar.

Tekken 8 tem o total de 32 personagens, um número pouco menor comparado ao anterior, mas essa redução não deixa perder em nada quando o quesito é qualidade. Começando por apresentar os personagens clássicos com roupas diferentes, para dar o ar que o tempo passou, repaginando uma galera de um jeito bem feito (é nesse momento que você vai lembrar do Paul e vai querer discordar por causa de um boneco só né!?) e trazendo personagens novos interessantes tanto no visual (Victor), quanto para a trama (Reina).

Esperemos que o elenco inicial continue a ser tratado com respeito e que essa prática de cortar bonecos, pra depois vendê-los na season pass não seja requisita com frequência. Independente das mecânicas de gameplay, um elenco inicial tem que ter um conjunto de personagens tão interessantes quanto as escolhas feitas para vender como dlc, após o lançamento.

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